5 de Dezembro de 2010

de frente para o nada














No interior dessa superfície brilhante habita o perfeito afiado
capaz de desenhar um rio, forte e fresco com uma carícia
em cada sulco, pele, tubos de fibras e feixes venosos.
Depois descansa a cabeça nesse colo, pura memória
enquanto a dor afunda - toda ela - no mar vermelho
tornada leve tão leve tão leve ----
enquanto passa a hora lenta como a vida e um só sopro
enquanto embalas como um anjo a escultura viva
criada só de beijos só de paz só
Tu, que vives mais à frente, sempre mais à frente, além ainda
por mais que corra nunca viverei esse tempo que nos separa
uma distância única esta nossa ---
extintas civilizações intersectadas entre planos paralelos
resultam num ponto - o universo - o sol e todas as estrelas
e de novo o nada onde começamos novamente
fingindo nenhuma intimidade nenhum novo perfume
exalado do passado de tanto esgotarem os corpos
só a estéril branca farda e essa máscara facial
li o teu recado resposta a promessa do meu silêncio
é tua como a cicatriz por dentro do amor
pouso o coração inteiro no agora
e atravesso a  passagem de nível.

2 comentários:

helena isabel disse...

muito bonito este espaço, muito serena e confortante a energia que dele emana, muito sentidas as palavras que nos são sugeridas para viajarmos aos nossos mundos, aos mundos dos outros. afinal, somos todos um!

grata!

Ju disse...

Obrigada pela visita e pelas palavras Helena Isabel, volte sempre a esta salinha.um abraço e até breve!